Somos todos analfabetos funcionais?

Foi esta a pergunta que fiz para um grupo de empresários que visitou a Casa do Zezinho tempos atrás. Explico: analfabeto funcional é aquele que apesar de ler e escrever, não consegue interpretar um texto ou mesmo fazer as 4 operações da aritmética e porcentagem. E parece que muitos empresários estão nesta categoria, já que ainda não entenderam uma continha básica: educação é igual a produtividade.

Aqui na Casa do Zezinho existe um ditado: quem não pensa, não compensa. Nossas crianças e adolescentes são estimulados a pensar continuamente. Não basta aprender a técnica de, por exemplo, construir uma ponte ou um muro. Das aulas de Culinária até o Mosaico, cada Zezinho aprende matemática com as receitas (principalmente unidades de medidas), química com as misturas dos produtos e que, aos poucos, vai conseguir criar um prato mais saboroso, uma ponte mais funcional, um quadro mais bonito. Vai criar Arte sem perder a técnica. Esta é a soma que gera bons resultados. Defino isso como transdisciplinaridade.

Meus amigos empresários, ainda bem, entenderam que a pergunta não era de forma alguma ofensiva: é um retrato do povo brasileiro sem ensino básico fundamental. Os jornais estão o tempo inteiro falando disso. O Indicador de Alfabetismo Funcional (Inaf) divulgou recentemente que 8% das pessoas que concluem o ensino médio são analfabetos funcionais. É muita gente sem preparo e sem pensamento criativo. E não importa o quanto a produção industrial cresça e apareça: sem educação não vai ter quem saiba operar a máquina, construir o prédio, desenhar aquele carro novo. Sabia que de cada 4 brasileiros, somente 25% é plenamente alfabetizado? O que se pode esperar destes profissionais capacitados?

O educador Paulo Freire (que eu adoro) tinha uma frase legal pra isso: Mudar é difícil mas é possivel. Aqui na Casa do Zezinho precisamos mudar sempre para adequar as necessidades de aprendizagem com os desafios do presente. E os desafios da Educação são muitos. O número de alfabetizados no Brasil não cresce faz 10 anos! Será que vamos conseguir mudar este triste e ignorante cenário?

Terminei o meu encontro com os empresários apresentando a Oficina de Robótica da Casa do Zezinho, uma das propostas de educação para o futuro que estamos realizando aqui e agora. “Oficina de Robótica na favela?”, perguntou um deles, impressionado. “Na favela sim. E muito em breve, um profissional destes estará trabalhando na sua empresa”, respondi.

Aqui, educar funciona. E muito. Basta pensar e evoluir. Faça as contas e até nossa próxima conversa.

Obs.: A transdisciplinaridade é uma abordagem científica que visa a unidade do conhecimento. Desta forma, procura estimular uma nova compreensão da realidade articulando elementos que passam entre, além e através das disciplinas, numa busca de compreensão da complexidade. Além disso, do ponto de vista humano a transdisciplinaridade é uma atitude empática de abertura ao outro e seu conhecimento (Rocha Filho, 2007).

4 comentários sobre “Somos todos analfabetos funcionais?

  1. Exvelente Texto!!!

    Penso que Infelizmente, hoje vemos que o Brasil optou pela quantidade a qualquer custo.
    E o resultado disso é a enorme quantidade de analfabetos funcionais com diploma. O nosso país deveria se esforçar em alfabetizar com qualidade. Não é aumentando para 9 anos o Ensino Fundamental que a qualidade do ensino irá melhorar.

    Também não é ampliando o horário escolar que teremos o problema resolvido.
    Se os alunos não forem incentivados à leitura, a atividades que trabalhem com inteligência, pensamento lógico e capacidade de relacionar temas diferentes, nenhum esforço do governo será válido.

    Também não devemos nos esquecer dos professores. Melhoria nos cursos de formação dos docentes, remuneração adequada, capacitação continuada, etc.

    Dá trabalho, é verdade, mas o investimento na qualidade da educação é a única forma capaz de reverter esse quadro educacional brasileiro tão triste!!

    Os nossos políticos precisam entender que Criatividade não se ensina, mas se desenvolve!

  2. Senhor, fazei-me um instrumento de Vossa paz.
    Onde houver ódio, que eu leve o amor.
    Onde houver ofensa, que eu leve o perdão.
    Onde houver discórdia, que eu leve a união.
    Onde houver dúvida, que eu leve a fé.
    Onde houver erro, que eu leve a verdade.
    Onde houver desespero, que eu leve a esperança.
    Onde houver tristeza, que eu leve a alegria.
    E onde houver trevas, que eu leve a luz. Amém

  3. Pela primeira vez em 50 anos vivenciados eu leio um texto que quem o escreveu já trabalhou 20 anos e continua trabalhando e educando pessoas e fez acontecer.Deu muitos resultados satisfatórios.Desejo que quem ler os seu textos tia Dag também façam acontecer!!! Beijos.

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