A educação do faz-de-conta

Quem me conhece sabe que sou aquele tipo de pessoa otimista, que acredita e trabalha pela mudança positiva e pela transformação de valor. Os educadores da Casa do Zezinho aprenderam a nunca aparecer com apenas uma ideia na minha frente. Quero duas, três e muito mais. Atendemos a 1.500 crianças em situação de risco e não me satisfaço com menos do que o triplo de soluções alternativas. Aqui, ninguém pensa “na média”.

É por isso que fica difícil conter a minha revolta com os Os dados do Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica), medido pelo Ministério da Educação (MEC) que foram divulgados no dia 14 de agosto deste ano.

Li muita notícia de que “estamos nos aproximando dos países desenvolvidos” e que “o índice nacional também superou a meta de 2011” O que isso quer dizer, afinal? Devemos comemorar alguma coisa?

Devemos comemorar, por exemplo, a atitude vergonhosa do Ministério da Educação de impor um “Índice Guia” e um “Compromisso de Gestão” que só enxerga alunos como números e professores como papagaios, sem considerar o estado precário das escolas, livros defasados e a falta do olhar para criança como um ser integral?

Meu otimismo é alimentado por outra realidade. A da criança de pais analfabetos e barraco de madeira com “puxadinho” que se encanta na primeira aula de pintura e até esquece que passa fome. No adolescente que aprende a tocar um instrumento novo, a dançar e descobrir um dom escondido. No grupo de teatro que aprende fazendo de conta. Na Casa do Zezinho, ninguém quer tirar 5.0 na média e nem sabem o que é isso. Nossa avaliação é a do desenvolvimento humano. Ponto.

Se é para falar de números, vamos pensar nos 20 a 30% de alunos reprovados nos anos finais do Ensino Fundamental (5ª a 8ª séries ou 6º ao 9º anos), no abandono escolar e na falta de preparo para redação do vestibular. Desenvolvido é o país que lida com estas realidades, preparando professores para serem educadores plenos que amam o ato de ensinar. O economista e consultor das Nações Unidas para Educação, Gustavo Ioschpe, avaliou que:

“Não há relação entre o aumento dos salários dos Professores e a melhoria no Ensino. No sistema atual, podem triplicar os salários que a Educação como está não será melhor. A chave está na sala de aula.”

E disse mais:

“O problema da Educação no Brasil não está na falta de recursos, mas na gestão e na qualidade do Ensino ministrado.”
(site Todos Pela Educação, 20 de julho de 2012)

Média pra mim é café com leite e pão com manteiga. Não é refeição e não sustenta. O dicionário define como “o que está entre o grande e o pequeno, o bom e o mau”. Para atravessar esta “ponte”, não podemos praticar essa educação do faz-de-conta que se apresenta. Nossas crianças e adolescentes merecem mais. Muito mais.

Um comentário sobre “A educação do faz-de-conta

  1. O faz-de-conta usado como mais um instrumento pedagógico, com o intuito de instigar a imaginação e criatividade, pode ser muito positivo e até resultar em ações geniais. Mas quem consente que o país pratique essa educação do faz-de-conta ou do meia-boca, deveria estar em cana, ou passar longas temporadas nas escolas públicas das nossas periferias!

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s