Por aqueles que ainda não sabem

“A realidade não é nada além da livre escolha de uma das muitas portas que estão o tempo todo abertas.”
Hermann Hesse (1877- 1962), escritor alemão.

Conheço uma criança que já dormiu na rua, dentro de uma geladeira. Conheço outra que foi queimada pela própria mãe porque não cuidou direito do irmão menor. Conheço histórias reais que não passam na televisão como chamariz para aumentar a audiência e esconder o descaso social. Conheço histórias que fariam o seu mundo se tornar incerto e confuso. Fariam o seu idealismo balançar e querer fugir do desafio de educar.

Na ilusão da democracia, brasileiro acredita ter opinião formada sobre tudo. Se viu na Tv ou na internet, pô, deve ser verdade. Me envergonha o fato da violência real ser tratada como um videogame ou filme da sessão da tarde. Nos tornamos reféns dos extremos: ou somos calculistas ou emocionais. Desenvolvemos um paternalismo ingênuo de concurso de auditório que premia os “pobre” e satisfaz somente o ego de quem assiste (o mesmo que fica revoltado e xinga quando assiste a violência urbana no jornal das oito). Não vejo como isso pode ajudar na educação e desenvolvimento de qualquer criança, adulto ou adolescente. Não mesmo.

Tenho que lidar diariamente com a ignorância do senso comum. Faz parte do papel e do compromisso de qualquer educador. Mudar a mentalidade de quem pensa que ONG é tudo fachada, pobre é moeda de troca, miséria é plataforma para eleição. E o melhor argumento é o resultado. Pode perguntar para os 10 mil Zezinhos que passaram por aqui nestes 16 anos de sonho e realidade compartilhados com toda comunidade. É ver para crer.

Organizações não-governamentais como a Casa do Zezinho têm a díficil tarefa de lutar por uma visão de realidade sem maquiagem e manipulação. Algo parecido como o que foi feito no documentário latino-americano “La Educación Prohibida”, um exemplo de como pensar a educação que recebemos hoje. Assista e vamos refletir por aqueles que ainda não sabem. E agir. Te vejo por aqui.

2 comentários sobre “Por aqueles que ainda não sabem

  1. É nóis, Tia Dag. Hoje vai ter platéia de jogo do Brasil. Só que o jogo é outro. Vamos plugar os olhos, ouvidos e todos os sentidos na senhora e nessas mulheres que fazem o que muitos gostariam de fazer. Axé!

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