A beleza que não se vê

Beleza que não se vê.

“Sua Casa é muito bonita, Tia Dag. Você nem parece que precisa de ajuda.”, exclamou o empresário ao visitar nosso espaço. É verdade. A Casa do Zezinho é encantadora. Temos piscina, estúdio de som e fotografia, horta, quadras poliesportivas e muito mais. São 3.200 m2 divididos em quase 20 anos de sangue, suor e lágrimas. E eu digo isso literalmente. O empresário não estava errado. O brasileiro, de modo geral, carrega essa mentalidade de que pobre precisa ser sujo, analfabeto e desdentado para merecer ajuda. É o livro pela capa, o pré-conceito antes de criar conceito ou consciência. Não fiquei brava com meu amigo, fiquei triste. Uma educadora aqui me contou que o ser humano que doa, ganha autoestima e sente-se melhor. Outros dão um trocado para algum mendigo só para tirarem da frente aquela imagem de pobreza. Pobreza é o mesmo que uma doença para muita gente. E tem os que não suportam nada que ameace seu próprio mundo. Esses fogem da miséria alheia e dos problemas sociais como se fizessem parte de outra raça que não a humana. Não é pra ficar triste?

A Casa do Zezinho é chamada pelos moradores da região de “Sol do Parque Santo Antônio”. Não fui eu quem estimulou este pensamento: foram os pais e as crianças que estudam nas Oficinas Culturais e no reforço escolar e profissional para adultos (séc. XXI, conheça no site). Eles descobriram essa alegria perdida de acreditar que é possível mudar o próprio destino pela educação. A Casa é bonita porque as pessoas são bonitas, são “sangue bom” como a gente diz por aqui. Sem dodói ou mimimi, elas continuam no seu caminho de prosperidade. Coragem é o que não falta.

Ajudamos muitas ONGs mais humildes a colorir suas entradas e muros, suas salas de aula, a vestir a arte por inteiro. Todas merecem nossa parceria e apoio. Mas para que cada ONG, creche ou asilo continue aberta e trabalhando, precisamos mudar essa consciência pobre que nos persegue. Precisamos de ajuda sim, sempre e quanto mais melhor. Seja com doações, voluntariado, brinquedos, roupas, eletrodomésticos, o que for. Só não vale coisa estragada, faltando pedaço, rasgada. Onde existe beleza nisso?

Cultivar o Bom, o Belo e o Verdadeiro. Todos nós somos capazes disso. Até a próxima.

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