A fonte envenenada

A fonte envenenada

Aposto que vocês não conhecem essa história simples e cheia de significados para os dias de hoje.

Em uma pequena vila, sem que ninguém desse conta, uma cobra caiu no poço central que abastecia toda água pura daqueles moradores. A cobra morreu afogada e seu veneno penetrou na água que todos bebiam. Ninguém morreu mas as pessoas começaram a ficar meio doidas e fazer coisas estranhas. Em pouco tempo, toda vila apresentava um comportamento pra lá de esquisito: alguns corriam pelados pelas ruas, outros ficavam gritando, etc. E o pior: todos se achavam corretos no que faziam e começaram a chamar o Rei de louco por não participar do novo “estilo de vida” que todos compartilhavam. Queriam até enforcá-lo.

Era uma época de reis e castelos no alto da colina. O Rei (que era justo e benevolente) foi avisado da tragédia que se abateu sobre seu povo e organizou um banquete na praça central para resolver a questão. O castelo tinha a sua própria fonte particular mas o Rei queria provar que era “um homem do povo” e bebeu da mesma água envenenada. Resumindo, todo o reino se acabou no caos e na loucura. Vou deixar a interpretação e a moral da história para vocês pensarem. Muitas vezes as pessoas me perguntam porque não concordo com a maioria dos sistemas vigentes de educação e os métodos pedagógicos apresentados como “a melhor solução” para o desenvolvimento da criança e do adolescente. Seria tão mais fácil aceitar essa formatação quadrada e receber muito dinheiro para criar mais Oficinas Culturais para Casa do Zezinho e tal. Bom, se eu aceitasse, não seria a Casa do Zezinho. Seria outra coisa e eu estaria envenenando o meu poço. Minha “loucura” é outra.

É acreditar na mudança pela Arte e Educação, pelas ferramentas de ensino que integram o indivíduo na sociedade sem que seja preciso achatar sua criatividade e seus sonhos de realização. Um poeta é tão necessário quanto um engenheiro, um músico quanto um médico. Uma sociedade igualitária onde as diferenças é que fazem todos brilharem em potencial construtivo. Essa é a água que eu bebo.

Uma das minhas “fontes” mais puras é o trabalho do psiquiatra Roberto Freire (1927-2008) que convido todos a conhecer no vídeo abaixo. Esse é outro que chamavam de doido por acreditar no potencial humano para mudança. Acredito que estou bem acompanhada. Até a próxima.

Um comentário sobre “A fonte envenenada

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s