Igual mas diferente

Igual mas Diferente

Estou sentada diante de meia dúzia de educadores ansiosos por respostas e alguma direção. São pessoas apaixonadas pelo que fazem, orgulhosas no melhor sentido da palavra e muito sensíveis as necessidades de cada criança e adolescente da Casa do Zezinho. São profissionais que vão além da profissão escolhida, além do horário de trabalho, além mesmo de seu tempo pessoal para se entregarem a um projeto social. Estou sentada diante de meia dúzia de educadores. E tenho a difícil tarefa de cortar algumas ideias, remanejar custos e investimentos, deixar alguns com o gosto amargo da decepção porque eles sempre querem fazer mais e o orçamento não cobre. É o lado triste de ser presidente.

Nova reunião, desta vez com empresários. Todo material em cima da mesa, quase 20 anos de trabalho em pedagogia e ensino, oficinas, projetos sustentáveis, muita coisa realizada e mais por fazer. Desta vez, o gosto amargo está na minha boca. Precisamos de mais jornalistas, precisamos de mais chefes de cozinha ou costura e filosofia? Parece que não. “Tem algum aí de futebol?”, pergunta um. E todos estes projetos ficam sem investimento, na espera de uma mudança de consciência. É o lado triste de ser educadora.

O que acabei de contar para vocês acontece todos os dias. As vezes começam com os empresários, as vezes com os educadores. Sério, todos os dias e isso não é rotina. Rotina, segundo o dicionário, é  o “hábito de fazer uma coisa sempre do mesmo modo, mecanicamente; repetição monótona das mesmas coisas; apego ao uso geral, sem interesse pelo progresso.” Bom, eu tenho interesse pelo progresso sempre e luto por ele. E não existe nada de monótono na educação. Não na que eu pratico, a Pedagogia do Arco Íris.

Um adolescente formado em Filosofia pode resolver o próximo problema de logística da sua empresa. Aquele formado em Gastronomia pode reduzir o número de faltas ao trabalho oferecendo um cardápio mais balanceado em nutrientes e vitaminas. Os jornalistas formados nesta geração, possuem mais habilidades do que a anterior, antes da internet. São muitos exemplos e muitas possibilidades. O que existe de comum entre elas? A oportunidade de investir na educação continuada destes filósofos, chefs de cozinha, jornalistas e estilistas do futuro. Adoro futebol e esportes, mas a bola da vez não é a de sempre investir nos clichês da ajuda humanitária. isso sim que é “apego ao uso geral”.

A bola da vez é o mundo e as pessoas, como sempre deveria ter sido. Para termos pessoas talentosas (gerenciando organizações, empresas, hospitais, etc), precisamos educar estas pessoas. E isso pede criatividade, coragem e uma dose de risco e desafio. Não é isso que ensinam nas escolas de formação empresarial? Seja um empreendedor? Seja um líder global, moderno, sustentável e humano? Então, cadê a visão mais ampla que enxerga a educação integral como o componente fundamental na formação?

Sou educadora, mas tive que me criar como empresária para responder as questões mais abrangentes de uma organização sem fins lucrativos, fornecer respostas aos desafios da minha comunidade e mesmo do mundo. E sempre enxerguei os empresários como educadores em potencial, líderes da inovação em suas áreas para o crescimento como um todo. Na verdade, somos iguais mas diferentes e penso que esta é a chave para uma boa parceria. Resta agora que os empresários também queiram ser educadores. Para quem quiser, estou por aqui. Até a próxima.

Conheça os projetos em desenvolvimento na Casa do Zezinho em http://www.casadozezinho.org.br/?p=projetos

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