Começo, meio e sem fim

Começo, meio e fim

Somente 10,3% dos jovens brasileiros têm aprendizado adequado à sua série em matemática ao final do ensino médio.”, diz a chamada da notícia que saiu recentemente em vários sites e jornais. Como seres sociais, faz um bom tempo que esquecemos o que realmente conta na hora de somar valores e dividendos para educação. Isso porque fizemos do resultado, a nossa única forma de mensurar sucesso ou fracasso. Esquecemos do caminho do meio.

A palavra “começo”, por exemplo, guarda um aprendizado secreto: com-eço, “como meço”. Antes da ação é preciso planejamento. Neste caso, precisamos “medir” quais são os nossos objetivos e quem vai estar junto nessa empreitada. Todo começo vem carregado de desafios e quem não se planeja, chega na fase seguinte despreparado. As escolas públicas estão despreparadas para educar de forma moderna, no ritmo dos jovens do sec. XXI. Elas não fizeram a “lição de casa” de medir o potencial (ou a falta de) dos seus alunos e a sua própria capacidade de atender as necessidades de toda essa galera (que inclui professores, pais e o entorno da escola). Agora vão ter que voltar ao ponto de partida e começar de novo. E isso é ruim para todo mundo.

Depois tem o “meio”. É muito difícil saber se estamos no meio em termos de pedagogia e educação. Novamente, o sistema de avaliação (por notas, provas, etc) é defasado e antiquado. Ainda premiamos apenas o lado mais exato do aluno e desprezamos o sensorial, o emocional, a inclusão social, etc. Somente aprender a fazer contas básicas não é o suficiente, é apenas o necessário. Qualquer “meio” representa um canal de comunicação, um caminho ou passagem para o aprendizado. O meio dá errado quando não definimos a forma, o jeito que vamos cuidar de determinado assunto. Isso é feito no começo. É por isso que levamos tanto tempo para planejar, desenvolver e aplicar a Pedagogia do Arco íris. O meio é muito importante. É dele que depende o resultado.

Aqui na Casa do Zezinho, nada é desenvolvido sem pensar no momento da criança como ser integral. Pegue 20 crianças de 8 anos e todas vão estar em momentos diferentes no caminho (meio para) do aprendizado. Somos uma ONG que se dá ao trabalho de pensar no individual como base para o crescimento coletivo porque somos seres em desenvolvimento e transformação constantes. E fazemos isso com sucesso e quase sem dinheiro. Estima-se que serão aplicados cerca de R$ 39 milhões em Educação Profissional este ano. Olha, não é pouco. E, mesmo assim, o valor investido por aluno no Brasil é três vezes menor do que em países desenvolvidos. Alguma coisa está errada. Ou várias coisas precisam mudar.

Para concluir, qualquer educador sabe que o ofício de educar não tem fim. Ele não acaba depois do colégio ou da faculdade ou da pós-graduação. Estes são apenas novos começos. Educar é para sempre, aprender é para sempre, é o infinito. A Casa do Zezinho não forma alunos ou profissionais com suas aulas, projetos e oficinas. Ela desenvolve seres humanos capacitados e universais.  Vivemos de começos e meios, sempre buscando o resultado mais favorável para criança e o adolescente. E essa história, pra gente, não tem fim. Quer aprender? Passa por aqui. Até a próxima.

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