Pontes, fronteiras e fortalezas

Pontes

“A verdadeira caridade não é acolher o desprotegido, mas promover-lhe a capacidade de se libertar.” –  Anália Franco (1856-1919)

Recebo informações sobre educação todos os dias. Meus parceiros e amigos me ensinaram a usar e perceber nas redes sociais e na internet, a ferramenta que vai além do entretenimento, que pode realmente conectar pessoas interessadas em formar diálogos de mudança e transformação. Hoje a Casa do Zezinho está presente nos principais canais (Facebook, YouTube, etc). Toda essa modernidade me levou a pensar em um algo mais antigo, a base de tudo isso, o conceito de aldeia global de Marshall McLuhan (1911-1980).

McLuhan era um filosofo e educador que pensou (muito antes da internet existir) na ideia de que o progresso tecnológico estava reduzindo todo o planeta à mesma situação que ocorre em uma aldeia, ou seja, a possibilidade de se intercomunicar diretamente com qualquer pessoa que nela vive. Era um pensamento utópico, típico de um educador que acreditava sempre no melhor do ser humano, assim como eu. Seria impossível fazer o que eu faço sem otimismo, sem equilibrar as duras realidades que enfrentamos com um pouco de sonho, brincadeiras e sorrisos de crianças. Pensar em aldeia, é acreditar que eu e você estamos conectados por valores maiores do que a sua conta bancária ou uma casa na praia. É entender que aquilo que compartilhamos é muito maior do que podemos ver ou tocar, o tesouro intangível da consciência a respeito do outro. Neste sentido, a Casa do Zezinho sempre foi pensada como uma aldeia de colaboração conjunta, centrada na comunidade. Não acreditamos em fronteiras.

Mesmo assim, não posso deixar de enxergar a realidade: as fronteiras existem e separam países e pessoas. A primeira fronteira é a do nosso próprio corpo, o contato de nossa pele com o outro. O medo do abraço, do toque e da troca de carinho que vemos em crianças que só conheceram a violência ou a rejeição por raça, status social e puro preconceito. Depois temos a fronteira da mente, das ideias preconcebidas que atrofiam o desenvolvimento intelectual e pedagógico. É uma fronteira que existe em crianças, adolescentes e adultos que tiveram sua voz interior sequestrada por interesses particulares e mesquinhos de terceiros. Por fim, temos a fronteira do espírito, a perda da auto-estima e do amor próprio, a falta da fé em si mesmo que gera as doenças da modernidade como stress, depressão e síndrome do pânico. Juntas, todas criam uma fortaleza triste em torno do indivíduo, que limita e bloqueia seu desenvolvimento em direção ao ser humano integral e consciente. É por isso que precisamos construir mais pontes.

Precisamos de mais pontes que conectem ideias e participação, valores e sentimentos, a vontade de fazer com o desejo de ajudar. Precisamos reconhecer nossa participação ativa como Arquitetos do Futuro, seres-aldeia, humano- globais. Quem visita a Casa do Zezinho (e todos estão convidados) , encontra muitas pontes que ligam e conectam nossos espaços de aprendizado. Estas são as pontes visíveis. Para conhecer as outras, é só passar por aqui. Te encontro em breve.

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