A força do braço e a força do abraço

Abraço!

“A violência é o último refúgio do incompetente.” – Isaac Asimov (1920 – 1992), escritor

Assisto e leio jornais todos os dias. Na televisão, vejo aqueles bem sensacionalistas que todos sabem. Chamo isso de “estudar o inimigo”, conhecer o problema. Durante quase duas horas, vejo o circo de horrores montado entre comerciais de shampoo e de loteria. Violência e propaganda se misturam, quase como se fossem a mesma coisa. Respiro fundo e vou em frente.

Assisto estudantes depredando e atacando pessoas por causa de algum aumento na passagem de ônibus, mães chorando pela perda de seus filhos para as drogas, menores sendo presos com metralhadoras, ativistas gritando opiniões diversas com força e uma certa ingenuidade partidária. Sem ter feito esforço algum, sinto-me exausta ao término de tanta perda de energia.

A Casa do Zezinho nasceu da morte, da revolta e da vergonha pelo falta de cuidado com crianças e adolescentes no Brasil. Mas nunca da violência porque raiva e desespero (fatores primários da violência coletiva e pessoal) nada podem criar. Foi a morte dos primeiros meninos que busquei proteger, a revolta pelo descaso ao Estatuto da Criança e do Adolescente e a vergonha pelo baixo valor dado a vida humana que me levaram a seguir o caminho de educação e pedagogia que trilho hoje, paciente como uma Maria Fumaça algumas vezes e rápida como um trem-bala em outras tantas. Meus passos e atos dependem da necessidade do momento. E todos eles dependem da paz para acontecerem.

Tudo isso me lembrou uma entrevista do famoso fotógrafo Sebastião Salgado, onde foi perguntado o que mais o impressionou na cobertura de várias guerras pelo mundo. Ele respondeu que foi a descoberta de uma fábrica de explosivos em formato de bonecas e carrinhos que eram deixados nas zonas de guerra para serem encontrados por crianças “do inimigo”. Acho que isso já diz tudo sobre o destino que estamos escolhendo (a violência é uma escolha) para definir o nosso papel no mundo. Ou será que não?

Ser um espectador passivo ou reclamão diante da TV tem o mesmo efeito daquele que atira pedras contra policiais ou coloca fogo em carros: nenhum dos dois está pensando, se educando para fazer a diferença no seu entorno, na família, entre amigos, no mundo. Não preciso de jornais para me dizerem que o mundo é violento. Mas preciso de parceiros para provar que não precisa ser, para transformar essa atitude de “olho por olho”. Espero que você seja um deles e que a sua maior força seja sempre a do abraço pela paz. Te vejo por aqui.

“A perseverança é mais eficaz do que a violência, e muitas coisas que, quando reunidas, são invencíveis, cedem a quem as enfrenta um pouco de cada vez.” – Plutarco (c. 42 – 120 D.C), filósofo grego

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