A semente alada do cedro rosa

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Uma reunião de educadores da Casa do Zezinho mais parece um encontro da ONU (Organização das Nações Unidas): todo assunto é ou parece o mais importante, todo mundo tem uma opinião a respeito e é preciso organizar, objetivamente, o que vai ser feito primeiro. Neste ponto, eu tenho que virar a OAU (Organizadora das Ações Unidas) para que cada um possa sair deste encontro, pelo menos, satisfeito. Nem sempre acontece. E eu sei disso.

Quando a gente trabalha no limite (caso da maioria das Ongs), aprende a priorizar. Os critérios nem sempre são os mais lógicos, nem sempre são os mais agradáveis. Eu sou a maior dor de cabeça do financeiro aqui da CZ. Outro dia, a casa de um Zezinho pegou fogo. Tem verba pra arrumar? Não, não tem. Então tira da conta de água que só temos que pagar daqui uma semana e toca um mutirão pra ajudar o menino. São imprevistos que vão além dos projetos patrocinados e, claro, não podemos deixar de ajudar.

Acontece que Ong não é uma fábrica. Se fosse comparar, diria que é mais para uma floricultura. Trabalhamos pela preservação de espécies delicadas. Cada Zezinho ou Zezinha aqui é como uma semente querendo um solo fértil para crescer, sol na cabeça e uma chuvinha para refrescar e nutrir nos tempos mais secos. Nascer entre esgotos a céu aberto, falta de estrutura e violência, pode matar (literalmente) as possibilidades de uma raiz crescer forte e sadia. E nem vou te contar do número de predadores e ervas daninhas que existem por aqui. Mas eu tenho um segredo.

Quando eu preciso tomar decisões difíceis, eu me mando para o Projeto Makaya. Fico entre as crianças, em silêncio, observando o plantio de sementes, outras mexendo na terra. etc. Eu me conecto com essa natureza mais básica e instintiva, que possui esse comando interno da ação intuitiva. É meio difícil de explicar, sabe? O que acontece é que saio de cabeça mais leve e decisão definida para uma nova conversa com a minha “ONU”.

O título deste post fala das sâmaras, sementes ou frutos como as do cedro rosa que apresentam um tipo de formato que possibilita o seu ‘voo’. Sendo assim, elas podem ser levadas pelo vento por longas distâncias para brotarem em outro lugar. Talvez seja isso que todo esse trabalho da Casa do Zezinho represente: criar e desenvolver “asas” para nossas sementes irem mais longe, sempre. Até a próxima.

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