Seis minutos da sua atenção

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E, de repente, o mundo virou. De repente, começamos a acreditar que 24 horas não são suficientes para conter um dia e nossas tarefas. De repente, estamos atrasados por tabela em nossos sonhos e aspirações, em nossas intenções de progresso e desenvolvimento. De repente, começamos a acreditar que estamos perdendo algo precioso, algo que merecemos e precisamos correr para alcançar. Estamos perdendo mesmo, mas não é o que você pensa.

Na bela palestra do professor e filósofo Mário Sergo Cortella (veja o vídeo abaixo) ficamos sabendo que a capacidade de concentração de uma criança, no início do séc. XX, era de cinquenta minutos. Hoje, século XXI, o foco de uma criança em sala de aula é de seis minutos. Seis minutos. Arrisco a dizer que muitos adultos perdem a atenção em menos tempo. Afinal, a vida adulta é tão estressante, cheia de compromissos, quem vai “perder” tempo fazendo um desenho para seu filho ou neto, ouvir uma história inventada, a sua relação com o amiguinho da escola? Para ser bem honesta, isso pode nem acontecer porque a criança já vai estar grudada na televisão ou no joguinho do celular, na internet. O ritmo da vida moderna não é de romance, é filme de ação desenfreada, ritmo frenético, aventura de videogame. Acontece que estamos perdendo o “jogo”.

Neste cenário, a primeira perda é do lúdico (capacidade imaginativa e amorosa que conecta a criança ao seu universo interior) para, logo depois, perdermos a relação-espelho positiva (capacidade de gerar valores por referência de convívio) da qual a criança tanto precisa para desenvolver entendimento e interpretação. Trabalhamos muito isso nas Oficinas Culturais da Casa do Zezinho. Na dança, no mosaico, no teatro e outros veículos para Arte, resgatamos um tempo de ritmo e respiração, de pulsar e movimento que o mundo está esquecendo de prover. Nós estamos. O bom educador sabe que a realização de tarefas motoras (como mexer em um tablet ou no celular) representa apenas uma parte no processo pedagógico de maturação das inteligências múltiplas. E aquilo que é sentido, não precisa ser ensinado.

A natureza nos dá o exemplo: tudo tem seu tempo. Desrespeitar o ritmo de crescimento de uma criança ou adolescente, seu germinar e amadurecimento, pode custar muito mais do que seis minutos. Assista o vídeo e reflita. Te vejo por aqui.

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