A VIDA FEITA DE COMEÇOS

dagblogmateria_avidafeitadecomeços

“Tia Dag, como você começou a Casa do Zezinho?”, pergunta mais uma repórter, em mais um evento, de mais um encontro de captação para minhas crianças e adolescentes. Esta pergunta já me foi feita em inglês, francês, alemão e, acreditem, em dzonga (língua nacional do reino do Butão que visitei faz alguns anos). Muita gente pode achar cansativo ficar recontando uma história de quase 20 anos atrás. Eu não acho. Na verdade, quando olho tudo que já foi realizado, eu me faço o mesmo questionamento. Como eu comecei o projeto Casa do Zezinho? De que forma começamos qualquer coisa?

As pessoas costumam pensar que são proprietárias de suas iniciativas, únicas detentoras de suas ideias. Eu discordo. Ao refletir sobre meus começos, me dei conta que sempre existia alguém ao meu lado que deu suporte para o meu desenvolvimento. É importante perceber isso, é fundamental. Antes da Casa do Zezinho, eu já participava de movimentos de conscientização sobre os direitos da criança e do adolescente. Ao meu lado, pessoas que alimentavam o meu destino de lutar pela igualdade social: marido, amigos, família, gente que me olhava e olha por mim, gente que compartilhava minha paixão, que corria riscos comigo e até mesmo aguentava meus momentos de avanço idealista, sem muito planejamento estratégico. Todos estão comigo até hoje e continua chegando mais. Então, eu não sou “dona” total das minhas realizações. Faço parte de um resultado de sorte, comprometimento, amor e amizade. É disso que a Casa do Zezinho é feita. E o nome disso é educação.

Somos feitos por todos que passam por nós e que, de alguma forma, deixam sua impressão. Somos uma soma, parte indivíduo, parte família humana, somos começos de nós e complementos de outros. Se a impressão for errada, desenvolvemos traumas, complexos e deficiências de crescimento intelectual, físico e emocional. Eu não comecei a Casa do Zezinho, ela que cresceu em mim  e me educou através dos contatos amorosos (e outros nem tanto) com as pessoas e o mundo. Eu fui e sou apenas uma receptora de algo maior do que eu mesma, esse projeto maravilhoso que conta com pessoas maravilhosas que realizam novos começos para crianças, adolescentes e adultos nos nossos projetos, nas oficinas culturais, mandando notas fiscais, fazendo doações, investindo como parceiros e colaboradores. Essa gente sou eu, e eu sou essa gente.

Quando tiver uma grande ideia para qualquer coisa, pense em quem te ajudou a chegar lá. Pense em quem te deu essa visão do mundo, quem te deu colo e abrigo, seus educadores primordiais, os primeiros. Pense que você também pode ser uma pessoa assim para o mundo e alguém perto de você. Como eu comecei a Casa do Zezinho? Com amor, amigos, esperança e coragem. De todos vocês. Te vejo por aqui.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s