O branco das cores

Sem querer, me peguei um dia assistindo a um desses documentários sobre a segunda guerra e tudo que ela representou de atraso para raça humana. Foi nele que aprendi o significado de “ponto cego“, uma região nos olhos que não capta a luz e, portanto, não consegue perceber movimentos e imagens. No popular, é aquele “canto do olho” que faz a gente tropeçar porque não enxergou o degrau ou tomar um susto quando alguém chega de ladinho. Minha cabeça de educadora rapidamente fez uma analogia com o momento atual: nossa cegueira voluntária sobre varios acontecimentos do cotidiano, nossas relações com pessoas e coisas, nossos pontos cegos.

Para enxergar todas as cores e suas nuances, uma certa paciência e perseverança se faz necessária. A cor vermelha, por exemplo, pode representar a paixão mas também a raiva. O amarelo pode ser o sol ou a doença. O azul do mar é a cor da parede do quarto do bebê que vai nascer ou a melancolia de lembranças do passado. Quem acompanha o crescimento da Casa do Zezinho deve se lembrar que nosso logo não tinha o Arco-íris incorporado, era apenas uma casinha (porque éramos apenas uma casinha). As cores chegaram através da nossa pedagogia e do entendimento de que nada é “preto no branco” (como no documentário que assisti).

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Foram vários anos de trabalho, buscando nossos pontos cegos, nossas ausências de comprometimento e compromisso com algo maior do que a qualidade de vida pessoal para conseguir unir todas as cores em uma filosofia educacional que se transformou na nossa proposta pedagógica. Nosso Arco-íris tem fundamento e não é enfeite. Na verdade, ele é a base e o telhado de todo nosso projeto de transformação e mudança para um presente e um futuro melhor para todos que já entenderam que educar é o melhor caminho. E tudo começou no branco. Comecei sem nada, de bolsos vazios mas cheia de amigos e fome de mudança. Deu no que está dando.

No olhar pequeno (foco, atenção dirigida) não existe ponto cego. Comece devagar, ajude no seu bairro, algum parente, o colega do trabalho. Comece na cor branca, a cor da criação e do início do trabalho do artista que pinta uma tela, o muro da escola, escreve um livro. De repente, as cores que existem em você vão começar a transbordar, você vai ver. Deixe o ponto cego para os intolerantes cinzentos e mostre suas cores. O mundo te aguarda. Tá esperando o quê? Te vejo por aqui.

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