O carro velho

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“A educação não é um sistema mecânico. É um sistema humano. É sobre pessoas, pessoas que tanto querem aprender ou que não querem aprender” – Ken Robinson, consultor internacional em Educação

Ninguém gosta de perder tempo. Estou parada no já famoso trânsito de São Paulo, voltando de uma reunião para Casa do Zezinho. O motivo é a quebra de um carro bem velhinho, uma brasília (sem ironia, é verdade). Acredito que só existem dois motivos para alguém ter uma brasília hoje em dia: apego emocional ou falta de recursos para comprar um veículo novo. Olha aí, uma analogia ótima com a nossa educação.

Segundo o site do metrô, um carro quebrado pode gerar de 200 a 400 metros de engarrafamento (dizem que pode chegar a 10km) que vai demorar, em média, uma hora para se normalizar. Alguns vão xingar o dono do carro, outros vão se lamentar pela quebra e ainda vai ter gente que vai pensar “ainda bem que não foi comigo”. O Plano Nacional de Educação (PNE) começou a ser debatido em 2010, só foi aprovado pela Câmara em 2012 e, até o momento, ainda está em “trânsito”. Um dos motivos? A meta de investimento de 10% do PIB (Produto Interno Bruto) para o ensino até 2022. É um assunto complexo que você pode acompanhar no site Todos Pela Educação que aconselho, quem é educador ou não, a seguir.

Já entendeu a minha comparação? Nossa educação está andando de brasília. Enquanto a velocidade dos novos meios de comunicação como a Internet, as Redes Sociais e as novas tecnologias (tablets, smartphones, etc) transformam a forma de educar e ensinar em todo mundo, estamos parados no acostamento da Avenida Brasil. Quem está dentro do carro? Professores, educadores, crianças e adolescentes, eu e você. Estamos parados no presente, atrasados para um futuro que nunca aparece. Bom, isso não é bem verdade, se você olhar para os outros carros, mais modernos e eficazes que avançam pela Avenida. Em outras palavras, existem escolhas que não estamos fazendo. Por que será?

O dono do carro velho pode ter esse apego emocional, essa história antiga com sua brasília e, mesmo podendo trocar de veículo, prefere se manter preso a um sistema de valores antiquado. É como o nosso sistema de avaliação de ensino, nossas ideologias ultrapassadas sobre o que deve ser ensinado ou não e como uma criança deve ser educada. Um carro quebrado, vários outros parados. Um pensamento atrasado, vários outros sem desenvolvimento e transformação positiva. Vamos trocar de carro, gente?

Sobre os recursos, eles existem e todo mundo sabe. O foco é que sem educação, não temos (e nem teremos) profissionais qualificados para ocupar cargos de poder, lojas, oficinas, escolas ou mesmo montadoras de automóveis. Existe uma estrada longa para percorrer, um destino que nos aguarda. Como chegaremos lá? E quando? Que a sua consciência seja o motorista. Te vejo por aqui.

“A meta de uma discussão ou debate não deveria ser a vitória, mas o progresso.” – Joseph Joubert

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