Faz de conta

Paulinho Lemes

Faz de conta que vivemos em um mundo sem as mais de 300 guerras que matam pessoas por interesses políticos, monetários ou religiosos. Sem guerras, as fabricas de armas não existem e temos mais laboratórios para novas pesquisas que curam doenças e melhoram a qualidade de vida para todos. Temos mais escolas e centros públicos de lazer onde crianças, adolescentes e adultos podem brincar e aprender sobre diferentes aspectos da vida e da Natureza.

Faz de conta que não existe intolerância. Em seu lugar, uma vontade legítima de conhecer a cultura e a história do outro, trocar conhecimento e somar diferentes experiências de convívio e crescimento humano. Nosso dicionário ficaria menor.  Palavras como racismo, bullying, xenofobia, stress, crime, assassinato e muitas outras não existiriam porque nunca aconteceram como ações que cerceiam e separam nosso espírito de solidariedade e desenvolvimento pessoal.

Faz de conta que, neste mundo, a ideia de alguém agredir o outro seria impensável e impossível porque a violência e a inveja não têm espaço onde existe arte, cultura e lazer socialmente harmonizados com o ambiente e a Natureza. Toda essa energia seria empregada para gerar novas formas de conquista e aprimoramento intelectual e prático em todas as áreas de desenvolvimento como as ciências, a arquitetura, o urbanismo e o progresso como um todo. Em cidades assim, a falta de saneamento básico e uso inadequado das verbas por interesses egoístas seria inexistente, permitindo que os morros continuassem sendo morros. A palavra favela nunca seria inventada e o termo “comunidade” teria o real valor e sentido de “comum a todos”.

Neste mundo de faz de conta, não viveríamos para sempre. Somos parte da Natureza e tudo tem começo, meio e fim. Mas sem as guerras e cercas que nos separam como uma grande família humana, sem as desigualdades que testam o nosso brilho e tentam apagar nossa luz, a vida seria um presente feliz, uma dádiva compartilhada. Tente, assim como eu e todos os educadores da Casa do Zezinho,  “fazer de conta” o máximo que puder. É pela imaginação que as realidades acontecem. Te vejo por aqui.

“A imaginação tem todos os poderes: ela faz a beleza, a justiça, e a felicidade, que são os maiores poderes do mundo.” – Blaise Pascal

PS.: Este texto é uma homenagem a um Zezinho que iluminou a vida de todos que o conheceram com o seu jeito de menino-criança e que voltou para abraçar o Patrão lá em cima. Fique em paz, Paulinho.

3 comentários sobre “Faz de conta

  1. Tia Dag, nesta data em que tantos estão preocupados em postar nas redes sociais seus amores, seus namorados e seus compartilhamentos na tentativa de pertencer a alguém ou a algum lugar, encontrei seu belo texto. PARABÉNS pela escrita poética, real e reflexiva. Que este Zezinho que foi para o andar de cima possa estar em paz e que nós, que convivemos com todas as mazelas deste nosso Brasil, possamos encontrar alento em nosso trabalho e crer mais e mais em nossa missão e profissão de educadores e muito além disso que saibamos que uma cesta básica alimenta mais a alma que um celular de última geração, pois os valores invertidos me assustam. Um abraço. Marilda Cremasco

  2. Tia Dag nos lembra, novamente, o que é tão simples e que pode ser feito por todos nós. Menos intolerância, menos ego, menos conflito, mais respeito, mais escuta e mais amor com todos, mesmo que nos pareçam estranhos. Vamos fazer de conta, sim, Tia Dag! Bjs carinhosos

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