Autores do próprio milagre

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E então, tem essa coisa que apareceu e começou a despertar um monte de gente. Essa coisa chamada manifestação social. A origem da palavra diz que vem do Latim MANIFESTUS, “compreensível, claro, aparente, evidente”, formada por MANUS, “mão”, mais FESTUS, “agarrado, apanhado”. Claro que quase ninguém fica preocupado com essas etimologias, talvez educadores como eu que gostam de saber o que falam e escrevem para não dar vexame depois. O importante é que eventos como este podem servir de escada para algo muito maior e relevante. O que seria?

O ato de compartilhar. Compartilhar é uma palavra engraçada porque tem, em seu núcleo, esse termo “parti” ou “partir” que seria o mesmo que separar, ir embora. Parece uma contradição. Só que, se a gente vai mais fundo, descobre outra palavrinha legal, o partilhar que é a solidariedade na forma de doação do seu tempo, algum valor material, alimento para o corpo ou sentimento para alma. Quando compartilhamos (de verdade e não porque somos obrigados ou queremos fazer bonito pra aparecer) somos mais transparentes, mais abertos e conectados com as necessidades dos outros. É uma pena que o nosso sistema educacional não consiga nem explicar o sentido original das palavras e das coisas, as sementes do vocabulário que usamos todos os dias e que se perdem nas redes sociais. Quem for esperto que procure saber mais.

E aí, vem a questão: o que compartilhamos afinal?

Eu compartilho solidariedade. Para mim, compartilhar é viver a solidariedade. Compartilho a minha experiência, minhas décadas de aprendizado como ser humano, meu lado mãe, esposa, filha e avó. Eu compartilho existência. Na Natureza, tudo começa no Caos, na impulsividade que arrebenta a semente do solo, a placenta do bebê, na estrela que surge. Mas depois vem a Ordem, a direção e o sentido que toda essa “manifestação” de energia deve tomar. Ou, pelo menos, deveria.

Temos que tomar cuidado com toda essa emoção. Quem já conhece a Pedagogia da Casa do Zezinho, sabe que trabalhamos as cores na forma de solidariedade, transformação, ensino e partilha. E como chamamos isso? Cor-ação (aposto que você não tinha reparado). Atuamos com o cor-ação mas também com nosso intelecto e discernimento para entender a diferença entre o Caos da criação e o da destruição. Saber disso é fundamental para compartilhar o que é bom, correto e verdadeiro. Compartilhar o que você é na ordem das coisas. E todo mundo têm algo de bom, bonito e verdadeiro para compartilhar.

Mas o ato de compartilhar, tem sim uma partida. Tem que partir de você. Tem que fazer cada um se separar do olhar no umbigo, do quero só pra mim, da indiferença pelas necessidades do outro. Tem que ter essa sintonia de cor, de coração. Quando todo mundo se ajuda, milagres acontecem. Pode ser a visão de milhares nas ruas ou apenas um que decidiu se doar para algo que valha a pena. Só assim podemos nos tornar autores da nossa própria história de vida, autores de nosso próprios milagres. Parece que já está acontecendo. Que venha mais. Te vejo por aqui.

“Serás para mim único no mundo e eu serei para ti única no mundo.” – O Pequeno Príncipe de Antoine de Saint-Exupéry

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