Eu com meu espelho

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A primeira pessoa que acorda comigo sou eu mesma. Eu com meus sonhos da noite passada, as preocupações do dia anterior, as necessidades que me aguardam no trabalho. Sou eu quem me olha no espelho, quem vê criticamente a passagem do tempo ou sorri para minha aparência sem retoques. Sou eu quem define a energia essencial para encarar os desafios de cada encontro, seja com pessoas felizes, aflitas ou tristes. Eu sou o reflexo de mim mesma. De verdade.

A Casa do Zezinho vive de diferentes reflexos. Já tivemos até um teatro aqui sobre isso. As crianças e adolescentes dançavam e se viam em diversos espelhos, uma metáfora para sua condição existencial em busca da própria identidade. Nem sempre o que se enxerga no exterior corresponde ao potencial interno. Bulimia, anorexia e outras doenças estressantes são o resultado desse desencontro entre o ser e o não-ser, reflexos da sociedade. Temos inúmeros exemplos da redução do valor humano por aqui.

Muitos vieram da própria família, do primeiro emprego, da maldade ignorante de pessoas que refletiam sua própria condição estagnada: “Você sempre vai ser pobre”, “você nunca vai fazer faculdade”, “você não tem inteligência para abrir seu próprio negócio”. Sem falar nos insultos sobre o tom de pele, alguma deficiência motora ou uma aparência fora dos padrões atuais de beleza.

É…quem pensa que o trabalho de uma ONG é só diversão e arte, deveria passar um tempo aqui com a gente.

Mas existe outras formas de se encarar um espelho. Educador aqui descasca laranja, batata quente e cebola. Não se trata de mascarar os efeitos da falta de formação que podem levar ao crime, drogas ou à violência. Cuidamos de causas, não de efeitos. A base em que atuamos é a de curar a (de)formação, a falta de incentivo ético e moral, o referencial formativo que falta para uma identidade saudável e feliz. Jogar luz (ou as sete cores do Arco-íris) sobre estas sombras e revelar as verdadeiras potencialidades, os sonhos escondidos e não compartilhados que todos temos. É assim que a menina tímida vira bailarina, o garoto aprende capoeira, uma turma compartilha a consciência de cuidar da Natureza. Não existe um projeto na Casa do Zezinho que não incorpore a evolução consciente da identidade pessoal.

Em tempos de grande transformação e mudança, eu olho para o meu maior espelho, meus Zezinhos e Zezinhas. Se eles estão sorrindo, eu também estou. Eu sou o reflexo de mim mesma. Nos olhos de uma criança. Te vejo por aqui.

“Você tem que ser o espelho da mudança que está propondo. Se eu quero mudar o mundo, tenho que começar por mim.” – Mahatma Gandhi

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