Pense simples e aja!

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Esta semana, recebi um texto de uma das mais queridas e antigas educadoras aqui da CZ, a Inaya. Tão questionador, reflexivo e desafiante que resolvi compartilhar com vocês. Olha só:

São muitas Marias e Severinos.  A viagem é dura… E eles vão chegando, sonhando com coisa melhor. É assim para grande parte da população. Perspectivas limitadas, sede de novas oportunidades. Conquistar novos caminhos sem se desfazer dos velhos laços. Na quarta maior democracia do mundo, um abismo separa ricos de pobres.

Origens tão distintas, desejos tão parecidos…

Entender como tudo começou nos levará a compreender a grande diversidade cultural que caracteriza nosso país, já que cultura é um dos instrumentos de análise e compreensão do comportamento humano social. Herança social e legado cultural são processos de transmissão que ocorrem ao longo da história, nos quais as gerações mais velhas transmitem às gerações mais jovens a cultura de um grupo.

E eu, o que eu tenho com tudo isso? Será que a diversidade cultural do meu país me atinge diretamente ou somente de forma indireta?

Assisti há alguns dias um vídeo. Em Rajasthan, na Índia, uma escola extraordinária ensina mulheres e homens do meio rural – muitos deles analfabetos – a tornarem-se engenheiros solares, artesãos, dentistas e médicos nas suas próprias aldeias. Chama-se Universidade dos Pés-Descalços, e o seu fundador, Bunker Roy.. Esta universidade tem por objetivo fornecer aos muito pobres (menos de um dólar por dia de renda) conhecimentos que lhes permitam viver com dignidade. O projeto está disseminado em praticamente toda a Índia e agora estão trabalhando também na África.

A Universidade não possui professores diplomados, e sim pessoas detentoras de habilidades que possam ser oferecidas à comunidade, que tenham competência, confiança e convicção, como parteiras, oleiros, e outros. “Estes são profissionais no mundo inteiro. Isto precisa ser usado, aplicado, precisa ser mostrado ao mundo afora – que este conhecimento e habilidades são relevantes ainda hoje”.

Ótimo exemplo de como o compartilhamento de conhecimentos, mesmo com pouquíssimos recursos financeiros, pode servir para melhorar a vida das pessoas. Mas em que consiste essa forma de conhecimento? Como soluções simples podem valorizar e modificar a vida de milhares de comunidades pobres, educados de modo convencional, mas capazes de realizar empreendimentos maravilhosos, pois carregam consigo uma ampla gama de sabedorias locais?

E a resposta: Resgatando a perícia, valorizando o conhecimento e a sabedoria popular das pessoas simples de maneira que possam ser empregadas no desenvolvimento de suas comunidades. Às vezes na vida se faz necessário rompimento com o cotidiano para que possamos ver melhor o sentido do que fazemos, ou a total falta de sentido.

Uma das tarefas mais urgentes é educar o educador para uma nova relação no processo de ensinar e aprender, mais aberta, participativa, respeitosa do ritmo da cada aluno, das habilidades específicas de cada um.

As pedagogias tradicionais, fundadas no princípio da competitividade, da seleção e da classificação, não dão conta da formação de um cidadão que precisa ser mais ativo, cooperativo, criativo, que precisa ir além. Experiência só não basta. A reflexão sobre a experiência é que pode provocar a produção do saber.

Precisamos de educadores maduros intelectual e emocionalmente, pessoas curiosas, entusiasmadas, abertas, que saibam motivar e dialogar. O educador autêntico mostra o que sabe e, ao mesmo tempo está atento ao que não sabe, ao novo. Mostra para o aluno a complexidade do aprender, a sua ignorância, suas dificuldades. Ensina aprendendo.

É importante educar para a autonomia, para que cada um encontre o seu próprio ritmo de aprendizagem. Podemos modificar a forma de ensinar e de aprender. Um ensinar mais compartilhado. Orientado, coordenado pelo educador, mas com profunda participação dos alunos, individual e em grupo, onde a tecnologia poderá nos ajudar muito.

Uma das dificuldades atuais é conciliar a extensão da informação, a variedade das fontes de acesso, com o aprofundamento da sua compreensão, em espaços menos rígidos, menos engessados. Temos informações demais e dificuldade em escolher quais são significativas para nós e conseguir integrá-las a nossa vida.

Educamos de verdade quando aprendemos com cada coisa, pessoa ou ideia que vemos, ouvimos, sentimos, tocamos, lemos, compartilhamos e sonhamos. Educamos quando aprendemos em todos os espaços em que vivemos na família, na escola, no trabalho, no lazer, etc.

De tudo, de qualquer situação, leitura ou pessoa podemos extrair alguma informação, experiência que nos pode ajudar a ampliar o nosso conhecimento, seja para confirmar o que já sabemos, seja para rejeitar determinadas visões de mundo.

Perdemos tempo demais, aprendemos muito pouco, nos desmotivamos continuamente.

Brasil, 14,1 milhões de analfabetos (IBGE). Estatística cruel. Um desafio…

Essa reflexão faz parte de questões que se impõem:

Qual educação precisamos para o mundo que queremos?

Quando educar deixa de ser um privilégio para ser um direito?

Ensinar de formas diferentes?

Quando vale a pena encontrar-nos em sala de aula?

Pense simples, aja.

“Sorrisos e abraços espontâneos me emocionam. Palavras até me conquistam temporariamente. Mas atitudes me ganham para sempre. ” – Clarice Lispector

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