Minha pele é da cor do arco-íris

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“Enquanto a cor da pele for mais importante que o brilho dos olhos, haverá guerra.” – Bob Marley

A criança de apenas dois anos sorri para as imagens na televisão. Na tela, cinco amiguinhos brincam de jogar bola, escorregador, rolar na grama e pular na água. Cada um possui uma cor diferente e não têm, nem mesmo, braços ou pernas. Parecem com bolhas de sabão ou bonequinhos de argila, de olhos vivos e alegres. Isso não importa. A criança bate palmas, ri e se diverte. Ela se conecta. Seus amiguinhos virtuais expressam seu contentamento e suas emoções de um mundo de fantasia. A vida é boa.

Em breve, essa criança vai perder tudo isso.

Daqui a alguns anos, essa criança vai descobrir que pertence a uma classe social, que tem uma cor que, dizem, a define. Vai descobrir que se veste com vestido porque é menina ou com shortinhos porque é menino. Vai crescer para descobrir que não pode confiar em todo mundo, que a rua é perigosa, nada de parquinho ou conversas com gente estranha. Vai começar a pensar que só existe brincadeira se for com o brinquedo que vendem na televisão e naquela loja do shopping. Vai se considerar um reizinho ou uma rainha que todos amam, contanto que nunca, nunca ande descalça na grama, seja rápida para não atrasar seus pais e não fique inventando coisas porque precisa crescer e a vida é dura e tem que aprender agora e isso e aquilo. A vida é um conjunto de regras e obrigações.

Ou essa criança pode ser realmente educada por você.

Ela pode ser criada para ter liberdade de se expressar criativamente, mesmo que isso signifique uma parede pintada com desenhos infantis de vez em quando. Ela pode aprender que aquele amiguinho da escola não tem tantos brinquedos e é legal compartilhar. Ela pode descobrir a confiança, se a verdade de uma situação for explicada com paciência, de uma forma que ela entenda. Essa criança pode desenvolver a tolerância, se você não demonstrar tanta irritação no trânsito ou no tempo que ela demora brincando no banho. Ela pode descobrir que uma folha de papel também pode se transformar em um avião, em um barquinho, em um vestido de boneca. A vida é mais.

E, finalmente, ela pode entender que não é a cor, a raça ou a posição social que definem a felicidade. É a capacidade que temos de nos conectar emocionalmente, nossa compaixão e coragem de sonhar com um mundo onde algum tipo de fantasia de criança ainda é possível. Um mundo onde aqueles cinco amiguinhos coloridos ainda possam te chamar para brincar de vez em quando, quem sabe, agora. Te vejo por aqui.

“Considero-me estrangeiro em qualquer país, alheio,a qualquer raça. Pois a terra é minha pátria e a humanidade toda é meu povo.” – Khalil Gibran

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