A Pedagogia do é tudo isso junto

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“Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina.” – Cora Coralina

Funciona assim: você passa anos e anos estudando pedagogia, lendo educadores e filósofos, trocando experiências com profissionais das áreas de educação, psicologia e sociologia, montando estratégias inovadoras de aprendizado e um monte de outras técnicas para ficar de cara no chão quando vem uma criança e solta uma pergunta como esta: “Tia, quem é o deus de Deus?”

Durante muito, muito tempo, professores e educadores viam a si mesmos como os guardiões do ensino e donos do poder do desenvolvimento da criança e do adolescente. O egocentrismo de quem possui conhecimento pode ser enorme em tamanho e prejuízo. Os moldes antigos da escola e do ensinar difundiam a “psicologia do medo” com direito a palmada de régua na mão e castigos como ficar no canto da sala. Do alto da sua sabedoria ignorante, o professor era um inquisidor licenciado que abusava de um poder que não tinha e nunca teve: ensinar. E gerações (como a sua e a minha) ainda relembram histórias de abuso na sala de aula como memórias de sorriso amarelo e risinho de ainda bem que já passou. Vale lembrar que, em certas regiões do Brasil, esse ensino medieval continua.

Sei que nada sei (Socrates) foi a bússola que me levou de professora para pedagoga, de pedagora para educadora, de educadora para presidente de uma Ong. Os aprendizados não foram se amontoando, foram se fundindo em uma prática que gerou a Pedagogia do Arcos-íris que se resume em um termo que já falei por aqui: o olhar pequeno.

O olhar pequeno é esse ajoelhar diante de um poder maior que é a criança. É esse nível plano de olho com olho, captação de sentimentos que temperam a relação e destroem a ponte acadêmica e racional que aprendemos na faculdade. Educar é desaprender e aprender de novo. Educador que não entende isso, pra mim, não é educador. A sala de aula é um terreno fértil que apresenta desafios diários para quem sabe enxergar o individual e o coletivo. Gado a gente marca mas com gente é diferente, já dizia a canção.

A melhor definição que ouvi sobre o que fazemos, veio de um educador novo na Casa do Zezinho. Ele percebeu o desafio que é conquistar a confiança (e a amizade) dos nossos Zezinhos e Zezinhas, a mistura delicada entre ser aquele que ensina mas também aprende, a fusão entre amor e técnica: “é, Tia Dag, é aprendizado, é paciência, é desafio e alegria, é tudo isso junto”.

Sim. É tudo isso junto. Sempre. Te vejo por aqui.

“Tenho seis regras que me ensinaram tudo o que sei: O quê?, Porquê?, Quando?, Como?, Onde?, e Quem?” – Rudyard Kipling, poeta

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