Crianças e Canecas contra o Dragão da Bondade

Dragão Vou te ajudar a entender a imagem acima: tão vendo aquela pessoa ali? Essa não sou eu. Agora, tão vendo o Dragão enorme? Essa, com certeza sou eu.

Eu assumo a total responsabilidade por ser um dragão. Eu adoro dragões, a força, o fogo e a identidade mística que eles carregam como protetores de reinos e tesouros, o simbolismo com a transformação e desenvolvimento autossuficiente que todo ser humano precisa para expandir a consciência e andar e viver por conta própria. Adoro. Eu sou a “Dragmar” para meus Zezinhos, colaboradores e até mesmo para os meus parceiros. E eu cuspo fogo. Quem já foi em uma das minhas palestras, sabe.

Ser um dragão é desafiar o melhor nas pessoas. Sem dragões, sem heróis para salvar a cidade do “mal”, sem novas ideias para sair do lugar comum, sem batalhas para tirar o pó da vida. Sem dragão, sem São Jorge. E sem São Jorge, cadê a fé e o propósito para lutar por algo melhor e sair da zona de conforto? Quer ver?

Estava fazendo a minha ronda diária pela CZ quando escuto um grupo de jovens, reclamando em voz alta por alguma notícia sobre a camada de ozônio continuar sendo destruída, e que o gelo da Groelândia estava derretendo, e que o ser humano é isso e aquilo e tal. Isso aconteceu faz alguns anos mas era igualzinho as reclamações pela seca e a falta de água que estamos passando. Igualzinho.

Azar o deles. Acordaram meu dragão.

Já entrei na sala Oriente (pra quem não sabe, sala na CZ é chamada de Espaço de Aprendizagem e cada uma tem um nome que remete à Natureza, Arte, etc) cuspindo fogo e que reclamar é mais fácil que fazer, queimando toda aquela postura de conversa de mercado ou fila de ônibus. Ficaram que nem a figurinha da foto lá em cima. Era o fogo da revolta contra o fogo do desafio. E o desafio era: o que VOCÊS vão fazer?

Manter uma ONG custa e custa muito. Naquela época, só de copo descartável, eram consumidos 18.000 por mês ou mais nas 3 refeições diárias que a CZ fornece para todos. Sem falar que o plástico leva 50 anos para se decompor no ambiente. Opsss!!! A cabeça do Dragão pensou rápido: vocês vão encontrar uma forma de resolver isso.

Pânico geral. Corra quem puder. Estamos falando de cinco jovens entre 13 e 14 anos sendo colocados na posição de gestores, de responsáveis por algo maior. A CZ não tem verba, já fui queimando de novo. Se virem. Quero um PLANEJAMENTO em sete dias. Aqueles que ainda conseguiam falar, tentaram negociar o prazo. Sem negociação. E se reclamar, vira cinco dias. E não falo mais com vocês até isso ser resolvido. Tia Dragmar é assim.

Caneca EcológicaPra resumir o que acabou sendo um grande movimento de sustentabilidade para toda Casa do Zezinho, eles conseguiram isso e muito mais. Com a ajuda dos educadores, puseram a cabeça pra funcionar e chegaram até as canecas de plástico para as crianças e de cerâmica para os adultos. Conseguiram fornecedores que se transformaram em doadores para as canecas e para o logotipo. Então, outro problema surgiu: os pequenos perdiam ou esqueciam a sua caneca pessoal em casa. Que fazer, perguntaram para o Dragão. Se virem, respondi. E surgiu mais uma boa ideia, os chaveiros para prender as canecas na bolsa e não esquecer!

O movimento cresceu e sugeriram a coleta seletiva de lixo. Cresceu mais e deu origem aos Eco-Zezinhos e o projeto Caminho da Transformação (Makaya Meio Ambiente), a Eco Cabana que pais dos Zezinhos vieram ajudar a construir e foi até copiado na Índia. Sim, aquilo deu nisso tudo. E sabe quem foi mais difícil de convencer a mudar? Os adultos, sempre eles.

Pensa que acabou? Investimos tudo isso na nossa comunidade, nosso entorno e ainda criamos a primeira cooperativa de catadores de papel do bairro. E as ideias continuam a crescer até hoje. Tudo isso é pedagogia, a Pedagogia do Cuidado, do cuidar e proteger gente e ambiente.

Dragões são seres duais, podem ser do bem ou do mal. O fogo do descaso queima e destrói a ação. O fogo do Bem purifica e transforma para o novo. Está tudo no mesmo lugar, na mesma pessoa, em você e no outro. Eu escolhi meu Dragão, meu papel nesta história que me deixa do lado do “mal” sob um ponto de vista para que algum “bem” possa emergir. Uma nova modalidade, a educadora-dragão. Mas também existem dragões da água, do vento, da terra, do sol. Descubra o seu, se transforme e vá à luta. Até a próxima.

Makaya - Carol
Carol, gestora do Projeto Makaya, leia a entrevista: http://tinyurl.com/k9k5nre
decomposicao
Viu como demora? Recicle!

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