Se não houvesse Paraíso

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“Imagine que não há paraíso
É fácil se você tentar
Nenhum inferno abaixo de nós
Acima de nós apenas o céu
Imagine todas as pessoas
Vivendo para o hoje”
Imagine – John Lennon

Outro dia eu estava na frente da Tv e acabei vendo aquela famosa cena da fábrica do filme Tempos Modernos (1936) de Charles Chaplin, quem já viu? Já naquela época, gênios como Chaplin tinham a cabeça esperta para prever os perigos de deixar tudo igual, estatizado, mecânico e sem um toque da Natureza e do próprio ser humano. Comigo não!

Como você já deve saber, a Pedagogia do Arcos-íris é humana onde temos como ponto central o desenvolvimento da autonomia de pensamento e de da ação, inserida nos 4 pilares da educação: Ser (Espiritualidade), Conhecer (Ciências), Saber (Filosofia) e Fazer (Arte). É por isso que todo educador que colabora comigo precisa estar ligado o tempo todo para não se deixar levar pelos acontecimentos superficiais que escondem histórias mais profundas. Precisamos manter o olhar, o toque, o gosto, o escutar e até o nosso olfato bem esperto, naquele presente momento de contato com a criança e o jovem. Um Zezinho tímido pode estar escondendo um abuso, um jovem que desafia todas as regras, um tentativa de adaptação em um mundo que não entende e por aí vai. E mesmo que não sejam estes os casos, vivenciar o presente é sempre a melhor escolha para educação. Você sabe por quê?

Esse é um papo que tive durante uma viagem que fiz ao Butão há 4 anos. No Butão eu aprendi mais sobre o conceito da integralidade, do ser integral, essa palavra que quase ninguém usava. Trabalhar o integral inclui um componente essencial, o Tempo. Eu convivo com diferentes noções de tempo todos os dias. Tem a criança de 6, 7 anos que está no tempo dela, o jovem entre 15, 21 anos no tempo dele, eu e as pessoas do meu tempo. Esse é o tempo cronológico, dá idade que deve ser respeitado e que se deve prestar atenção. O outro é o mental, onde a cabeça da pessoa se encontra, seus pontos de vista (como enxerga o mundo), conflitos e ambições de progresso. E tem mais um, o emocional, como ela lida com suas frustrações e desafios, etc. Acha que ser educador é fácil? Pense de novo!

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Tudo isso faz parte dessa pedagogia que busca a integração. No Butão, eu via o sagrado em cada parede, nas cores das roupas, no cuidado com os alimentos e nos afazeres do dia. As coisas mais cotidianas eram feitas com alegria e presença de espírito. Até o trabalho braçal duro nas lavouras e plantações de arroz retratavam essa participação voltada para o resultado positivo da comunidade. Sim, são apenas 650 mil habitantes mas e daí? Eu busquei integrar essa experiência em muitas oficinas aqui na CZ, trazendo esses conceitos de estar presente pelo outro e para o outro. As crianças mexem na terra, nas tintas, mexem o corpo, a cabeça, todos os sentidos. A tecnologia é tratada de forma orgânica como um aprendizado que não recebe valor maior do que outras artes como a dança, a escultura e a música. Se a sociedade lá fora prefere se distanciar do orgânico, humano e natural, aqui dentro nossa escolha é o fortalecimento da intenção dirigida para o melhor resultado do ser como um todo porque não vivemos da imagem, vivenciamos o que é real para criança. Das suas relações familiares, culturais, ambientais, escolares, da vizinhança e sem esquecer as relações mundiais, globalizadas, universais porque educar é tudo isso também.

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Uma das definições de Paraíso vem do  sânscrito paradesha que literalmente significa país supremo. Gosto disso, de imaginar que podemos criar um país melhor, uma sociedade mais legal e seres humanos mais conscientes em todos os sentidos. Crianças que conhecem o gosto da fruta que vem da árvore e da caixa de suco orgânico também mas que irão descobrir a capacidade de poder produzir seu alimento sem agredir o planeta. De jovens que abraçam e curtem seus amigos nos encontros e também na  internet, nas Redes Sociais, tecendo verdadeiras teias de comunicação (webs) que permitem falar com o Butão com um clique no  Facebook, por exemplo. Estamos construindo mais que novos caminhos para educação, estamos formando redes siderais de contato universal para agora e para o futuro!

Dá sim para existir equilíbrio entre todas as distrações do mundo. Comece olhando quem está do seu lado, prestando atenção e oferecendo um pouco do seu tempo. Vai olhar no olho, tocar na mão, oferecer companhia, dizer o quanto gosta de alguém. De repente o Paraíso já está aqui, só falta a gente melhorar umas tantas coisinhas. E assim todos nós podemos nos modernizar sem perder a nossa afetividade. Vamos “paraisar” (acho que inventei uma nova palavra, rs) nosso entorno, nosso emprego, nossa cultura! É noizzzzz! Melhor assim. FUI!

“Eis o meu segredo: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos. Os homens esqueceram essa verdade, mas tu não a deves esquecer. Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas.” – O Pequeno Príncipe, Antoine de Saint-Exupéry

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