Vire a cadeira para um sonho

NBC's "The Voice" Press Junket

Não tenho muito tempo para assistir televisão. De vez em quando cai alguma coisa na minha frente mas eu prefiro meus livros, meu jardim, meus amigos, minhas netas, etc. Só que outro dia recebi um email de um colaborador da CZ que dizia algo assim:

“Oi, Tia Dag, olha só, lembrei de você enquanto estava assistindo aquele programa que a pessoa canta e os jurados ficam de costas e só viram a cadeira pra voz que gostam, sabe qual é? Então, seria bem legal se fosse fácil assim na vida, né? Bjs!”

No começo, eu não entendi nada e fui ver qual era a desse programa. Parece que tem no mundo inteiro, aqui no Brasil tem também e tal. Assisti uns dois da versão americana, mais um brasileiro e foi então que percebi o que aquele colaborador falava. Peguei a história de uma mãe que perdeu tudo no furacão Katrina, a casa inteira. Perdeu todas as fotos dos filhos, roupas, móveis, uma vida completa. Se recuperou ensinando canto para detentos de uma prisão. E foi lá cantar no programa. E as quatro cadeiras viraram pra ela. Para o talento dela. Para um sonho. Minha ficha caiu.

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A gente tem que ter mais gente que aposta em gente. Temos que ter mais pessoas “virando a cadeira” e acreditando no talento dos “invisíveis”. O presidente de uma grande empresa precisa virar a cadeira para o primeiro emprego de um jovem inexperiente, o dono de um negócio no bairro que cria uma linha de crédito exclusiva para comunidade, o professor e educador que não desiste daquele aluno mais difícil de se desenvolver. Aliás, “chairman” quer dizer “homem da cadeira” em inglês, que é o presidente da empresa. Virar a cadeira é não dar as costas para aquele que só precisa de uma oportunidade para mostrar o seu talento e do que é capaz.

Aqui na Casa do Zezinho têm um monte de talentos desconhecidos para o Mundo. Em cada Oficina Pedagógica eu encontro, fácil, fácil, uns dez. Assim como no programa, todos eles têm uma história de luta e perseverança sem igual. No Brasil não tem furacão e nem precisa. Eu tenho histórias de enchentes, do rio transbordando e acabando com tudo. Tenho histórias de jovens que não conseguem emprego por causa da aparência ou do lugar onde moram. Eu tenho milhares de histórias que não aparecem na televisão. O legal é que eu também tenho parceiros que viraram a sua cadeira pra Casa do Zezinho. Lá no programa, os jurados são todos celebridades da música. Aqui, são pessoas como eu e você com apenas uma diferença: a solidariedade que não precisa de palco para aparecer, nem de um programa na televisão para enxergar o outro. Basta chegar e ajudar com a própria experiência, com o talento que adquiriu na vida, seja qual for.

Para que já virou a cadeira para realidade do outro, eu tiro o meu chapéu. E para quem não virou: tá esperando o quê?

Fui.

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