Quociente ou Consciência?

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“O Brasil ainda tem uma escola do século XIX, professores do século XX e alunos do século XXI” Mozart Neves Ramos, integrante do Conselho Nacional de Educação

Onde está a inteligência? Já pensou nisso? Eu já, todos os dias. Será que está no cérebro? Em todo o corpo? Na alma? Têm gente falando agora em Inteligência Espiritual (que não tem nada a ver com religião mas com o crescimento como um ser humano melhor), nas crianças índigo e outras tantas definições que, por mais curiosas que sejam não resolvem as questões atuais para que crianças, jovens e adultos possam ter um ensino melhor e uma educação de qualidade.

Pergunto de novo: Onde está a inteligência?

Será que está no Quociente de Inteligência, aquele sistema que foi criando lá nos anos 20 (educadores, pesquisem!) e que ainda serve para medir se um estudante é esperto o bastante para realizar contas ou decorar matérias que não estão de acordo com o seu momento atual, mental e emocional? Fica duro imaginar que ainda usam o mesmo sistema para contratar nas empresas em testes com perguntas como “Descreva-se como se fosse um remédio e para qual tratamento serviria”. E aquele jovem tentando seu primeiro emprego, que pegou três ônibus para entrevista e ainda não sabe se vai poder fazer cursinho por falta de recursos, já desanima logo de cara. E, claro, não é contratado.

Cadê a inteligência? Alguém viu?

Quociente de inteligência

Parece que inteligência não combina com o atual sistema escolar que promove o inverso da criatividade em função da massificação de um “conhecimento formal”, ou seja, de uma via única de aprendizagem com base em desempenho para o mercado de trabalho (será que eles sabem quantas profissões existem hoje?). A coisa fica mais séria ainda quando os próprios professores. mal pagos e desatualizados reforçam essa dura realidade com provas e testes do tempo da onça. E tem mais:

Na comparação com os demais países, o Brasil investe menos na educação básica. Por ano, o país aplica uma média de US$ 2 mil para cada aluno. Vizinhos latino-americanos como Chile, México e Argentina gastam cerca de US$ 2,3 mil. Na comunidade europeia, o investimento chega a US$ 5,5 mil e, nos Estados Unidos, a US$ 9 mil. “O Brasil investe muito pouco na educação básica e parte desse pouco não chega à escola” – Mozart Neves Ramos, entrevista Globo News

E não estou insinuando que eu sou a mais inteligente do planeta, não. A Casa do Zezinho nasceu da inteligência sim, das múltiplas inteligências de cada um que passou por aqui. Teve educador, pedreiro, lavadeira, dona de casa, professor universitário, estudante, capoeirista, apresentador de Tv, empresários e crianças, muitas crianças. Cada um contribuiu com o seu Estado de Ser ou, se preferir, consciência. Ninguém precisou fazer teste de QI ou aptidão. Conheci crianças que não tinham nem mesa para fazer a lição de casa. E senhoras sem educação “formal” que podiam dar aulas de filosofia.

Conheci e ainda conheço cada vez mais gente. Gente no estado mais puro e cru do ser, gente que deseja o conhecimento como algo que se conquista com esforço mas também, e principalmente, com alegria. Passa aqui na sala do projeto Educação de Jovens para o Século XXI que você vai ver o mesmo que eu. Pode ser no Makaya também ou no Família, Zezinho! que faz o levantamento do que acontece na comunidade com 100 famílias. Passa na Casa inteira, caramba!

Seria tolice dizer que não existem profissionais competentes cuidando do sistema educacional atual. Como educadora eu conheço a complexidade e o labirinto burocrático para realizar mudanças aparentemente simples como colocar as crianças em rodas de educação para aprender juntas, etc. O que eu não entendo é como a enorme quantidade de propostas para ajudar e melhorar o nosso sistema de ensino, que pipocam pelas Redes Sociais e por todo o canto, ainda continuam invisíveis para quem se diz responsável pela educação deste país. Melhor seria então,  trocar o QI pelo QC, Quociente de Consciência.

Cadê a inteligência?

Fui.

Eu não procuro saber as respostas, procuro compreender as perguntas. – Confúcio

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