ampulheta_“Mude o mundo, um pouco de cada vez, um pouquinho em cada canto por onde passa.” Percy Jackson e Os Olimpianos de Rick Riordan

Uma das coisas que sempre me causaram um certo desconforto quando criança e causam ainda mais como adulta e educadora é o que chamo de “bondade com a hora marcada”. Natal, Ano Novo, aniversários e outras datas que a sociedade usa para celebrar alguma coisa, me deixavam confusa. Eu não entendia o que era o “Espírito do Natal” que fazia com que todos fossem mais solidários e amorosos, os abraços por mais um ano que passou e os presentes. Eu sempre acreditei que a bondade e, por extensão, a solidariedade fossem condições básicas do ser humano porque foi assim que aprendi com meus pais e com a minha família. Não era Natal quando meu pai trouxe um mendigo para casa, quase que pra morar com a gente. Não era Ano Novo quando eu decidi ajudar os moradores da primeira favela que conheci, a do Fedô, no Parque Arariba, zona Sul de São Paulo. Data comemorativas nunca tiveram um significado muito transformador em mim porque o que as pessoas celebravam em um período do ano, eu vivia todos os dias.

Altruísmo, empatia, solidariedade, generosidade são todos conceitos relacionados, mas há diferenças e distinções importantes entre eles. Quando cientistas e cientistas sociais falam sobre altruísmo, geralmente estão falando de uma ação em que, para beneficiar o outro, o indivíduo arca com um custo ou prejuízo para si próprio. Embora o altruísmo tenha importância social, é muito mais uma ação pessoal, motivada por razões pessoais de diferentes tipos e voltada a alvos particulares. Solidariedade é um conceito mais social, baseado no sentimento coletivo de unidade, e não requer sacrifício pessoal. A generosidade pode ser uma forma de altruísmo, mas não precisa ser, tecnicamente falando. Todos os termos têm histórias e usos diferentes, vindos de diferentes tradições. – Oren Harman, escritor e professor de história da ciência na Universidade Bar Ilan, autor do livro O Preço do Altruísmo, 2010

“Pô, essa Tia Dag é metida pra caramba”, você pode estar pensando. Sou mesmo mas não por causa disso, mano. Eu apenas não acredito na bondade por encomenda. Eu sei que ela existe mas não deveria ser assim. A propaganda e a publicidade fazem um ótimo trabalho ao ditar quando e onde você pode ser feliz, solidário e até ficar zangado. Eu sou educadora, não sou marqueteira. Meu compromisso com a família humana não começa nem termina em dezembro. O Ano Novo pra mim é um período de avaliação profissional/pessoal que leva em conta o que pude fazer de valor pelas crianças e jovens da Casa do Zezinho e pela minha família e amigos. Então, Ano Novo pra mim é todo dia. Simples assim.

blogA Charities Aid Foundation e o Instituto Gallup entrevistaram pessoas em 153 países para avaliar a prática de atitudes altruístas. Em média, 20% da população global doa tempo, 30% doam dinheiro e 45% ajudam estranhos. No ranking dos países mais solidários, o Brasil ocupa a 76ª colocação. É uma posição ruim – revista Época, 21/01/2011

Estou aprendendo a conduzir essa minha atitude de revolta por apenas enxergar a bondade como moeda de troca para interesses diversos como uso de votos na política ou quando alguma empresa resolve fazer bonito na frente da tv porque pisou na bola. Estou aprendendo com os meus Zezinhos, colaboradores e parceiros que enxergam a situação com um todo. Como é que alguém poderia “desligar” sua bondade/solidariedade durante quase o ano inteiro para “religar” somente quando o Papai Noel começa a virar enfeite de loja? Você entende? Eu não.

Então, se você achou o título desse papo confuso, agora já sabe: Todo dia pra mim é Ano Novo, todo dia é dia de avaliação pessoal e oportunidade de fazer algo diferente por si mesmo, pelo outro e pela sociedade. Coisas simples como reciclar seu lixo, doar livros, ensinar alguém a ler ou o que você quiser. Não vai ficar esperando dezembro pra colocar algo de novo em sua vida, vai?

FELIZ ANO NOVO!

Fui!

TIA DAG INDICA:

Quais foram as ações solidárias mais impressionantes após tragédias naturais?

Por que somos solidários?

Por que somos altruístas?

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