Erros Brilhantes

oops!

De nada adianta a liberdade se não temos liberdade de errar. – Mahatma Gandhi

“Tia Dag, a senhora erra?”, dispara um Zezinho no meio de uma aula em uma das nossas Oficinas de Arte. Caramba. A resposta pronta, claro, deveria ser “sim, todo mundo erra” ou “errar é humano” mas responder assim para uma criança também seria um erro. Qualquer pessoa que serve de referência para o outro tem que pensar duas vezes antes de abrir a boca. E não existe nada melhor do que uma criança para te pegar de surpresa. A questão é que a nossa sociedade se esqueceu do erro. Nunca foi tão errado errar como agora. Erro virou sinônimo de incompetência. Por um lugar na faculdade, por um melhor emprego, por um relacionamento, tudo mundo quer ser perfeito. É um desespero para ser aceito, fazer parte de um grupo, da sociedade. Parece que todo mundo se esqueceu que sem erro não existe a tentativa. Ela é substituída pela ansiedade de estar certo o tempo inteiro. E quem se acha certo o tempo inteiro ficou surdo, cego e mudo para o outro.

“Tia Dag, a senhora erra?”

A penicilina foi descoberta por causa de um erro. O fósforo e a pólvora também. Antigamente, acreditava-se que a Terra era plana e o Sol era quem girava em torno dela. Platão, o filósofo, acreditava que as mulheres eram inferiores e Freud considerava a cocaína um santo remédio para histeria. Erros não são fracassos nem definem uma pessoa. Eles acontecem. E, como no caso da ciência e da tecnologia, podem servir para abrir novos caminhos de conhecimento. Erros podem ser brilhantes quando são revistos com atenção. Eles podem apontar a certeza do sim e a certeza do não.

Madre Teresa“Tia Dag, a senhora erra?”

Nossa, não consigo nem contar quantos erros já cometi. Eu posso ser a “Tia Dag” mas também sou uma Zezinha. Cada erro me apresenta a uma parte de mim que ainda precisa ser ensinada, ser assistida com mais cuidado e carinho. E carinho quer dizer ter paciência também, entender o processo que está rolando. Penso que o peso do erro está no julgamento que fazemos ou no medo de sermos julgados por aquele momento. Para uma criança ou jovem, esse julgamento pode ser mortal, definir uma vida inteira com base apenas em um ato falho. Pode ser cruel e irreversível. Pode acabar com todo brilho de alguém que ainda está se descobrindo naquilo que é e gosta, naquilo que pode virar um dom, um ofício, uma virtude.

Para que um erro se torne divino, devemos ser mais humanos com quem erra. Corrigir é diferente de educar. Erros podem ser acertos em desenvolvimento e fornecer respostas mais legais a longo prazo.

“Tia Dag, a senhora erra?”

O tempo todo, a qualquer momento, de vez em quando. Talvez agora, quem sabe. Mas estou sempre disposta para aprender com essa experiência. E você?

Fui.

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Sete erros científicos que originaram descobertas

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Ciência: A importância do erro

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