O Coração Fotográfico

heart of the water

Aquilo que está escrito no coração não necessita de agendas porque a gente não esquece. O que a memória ama fica eterno. – Rubem Alves

Estou sentada em um uma cadeira confortável que foi estrategicamente colocada entre a minha sala e um corredor que termina diretamente na Casa do Zezinho. Ali, eu posso ver o por do sol quando quiser. E mais, posso escutar as salas de aula, as conversas na quadra, o universo borbulhante de crianças e jovens em eterno movimento de vida. Eu fecho meus olhos as vezes. Quando a noite cai, posso ouvir as turmas que chegam para o projeto Séc. XXI, adultos que buscam alfabetização e aprendizado, mesmo depois de um dia puxado de trabalho. Esse é o mundo que respiro todos os dias.

A ciência nos ensina que a memória é tudo o que somos. Pragmática, aceita somente o que pode ser explicado por fatos e incontáveis testes de laboratório.  Com Arte, o cenário é totalmente diferente. Nada precisa ser explicado, apenas sentido. A ciência do artista é a do fazer sentir. E eu aceito as duas porque fazem parte da formação de qualquer ser humano. Precisamos tanto dos fatos e das explicações quanto da fantasia lúdica e do imaginário. Cabeça e coração. Pensamentos e sonhos. É disso que os projetos e realizações são feitos.

Para ciência, possuímos uma memória fotográfica onde a vida é registrada em neurônios e sinapses, cada momento é guardado através de impulsos elétricos no cérebro. Tá bom, que seja. Eu prefiro o meu coração fotográfico (sim, eu que inventei esse termo, sossega). Meu coração fotográfico registra o que a minha mente não guarda. Ele não registra fatos, apenas emoções como os abraços das minhas netas e dos Zezinhos, a companhia dos amigos, as risadas. Meu coração fotográfico me aproxima da natureza das coisas e da própria Natureza. Ele mostra o que a mente não vê, porque a mente pode mentir também. Vivemos em um mundo de velocidade, speed net, onde informação vem uma logo atrás da outra, sem dar tempo de pensar. As conclusões e julgamentos não passam por nenhuma analise mais profunda e, quase sempre, esquecem do coração. E basta olhar o mundo que está aí para entender que é do coração que mais precisamos neste momento.

Arvore_conscienciaPara cultivar um coração fotográfico é fácil. Você pode começar meditando, ficando quieto em algum canto por alguns minutos. Meditar com o coração é diferente do que com a cabeça, porque a cabeça faz perguntas e questiona. O coração, não. O coração integra, une os pontos. Se o cantinho que você escolher for em contato com a Natureza, melhor ainda. Aqui na Casa do Zezinho, a meditação com as crianças é sempre perto da Natureza. E não se esqueça de respirar. Calma e profundamente. Meu coração fotográfico sempre mostra o que minha cabeça não viu. Me trás alternativas, criatividade e uma sinceridade que só podia vir do coração mesmo. Mais que tudo, meu coração fotográfico me liberta de qualquer julgamento, de comentários maldosos e até mesmo de fofocas. Para o coração, só importa o que te faz crescer como ser humano.

Lembre-se: a mente mente. Vai buscar o coração de artista que eu sei que você também tem.

Fui.

Meu coração vagabundo
Quer guardar o mundo
Em mim – Caetano Veloso

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