O Estatuto do Bem e os Direitos do Coração

ECA 03

Eu vi um menino correndo
Eu vi o tempo brincando ao redor
Do caminho daquele menino

Força Estranha – Caetano Veloso

E tem essa coisa de quem luta por alguma mudança, precisa saber de tudo. Essa ideia esquisita de formar especialistas em tudo. Exista uma diferença bem grande entre estar bem informado e viver apenas na Razão e na Lógica dos acontecimentos. Quando eu percebi que a minha estrada pelo Conhecimento e pelo meu sonho começou a criar raiz e referência, fui atrás das Leis, dos Estatutos, das inúmeras Legislações que “tentam” defender os pequenos e os adolescentes neste mundo.  É claro que tomei um choque entre a realidade de ter todos os Diretos da Criança e do Adolescente assistidos e a fantasia de que isso realmente acontece. Na verdade, acredito que a Casa do Zezinho nem teria sido criada se tudo fosse uma maravilha. Eu sei que não é. E você também sabe.

ECA 02

Se a gente parar para enxergar de verdade e não apenas olhar, nenhum direito existe na sua totalidade. Aquele que se considera adulto hoje em dia, só pensa em direitos quando é lesado financeiramente ou moralmente. Quando pesa no bolso ou na imagem social, o adulto vai atrás dos órgãos responsáveis e tenta algum tipo de compensação que nem sempre acontece. A ideia do Dever como um compromisso social foi trocada pelo conceito de “dívida social” e eu brigo muito com isso. Tendo minha consciência como bússola moral, eu sempre acreditei que meu compromisso com a criança e o adolescente era e ainda é, proporcionar o melhor entorno possível para o seu desenvolvimento pleno. Eu não enxergo como dívida mas como um compromisso no qual sou totalmente responsável. Infelizmente, eu ainda ouço comentários como “não fui eu quem fez” ou “não é responsabilidade minha” ter milhares em situação de rua, sem escola ou assistência médica e por aí vai. Esse olhar de lado, essa falta de consciência social é o que trava todo o processo de crescimento e desenvolvimento de leis mais abrangentes e significativas para as crianças de hoje e os adulto de amanhã.

ECA 04

Eu comecei falando de lógica, sobre ter especialista para tudo. Eu descobri uma coisa bem simples: quem entende de criança é a própria criança e quem entende de adolescente é ele mesmo. Eles são os especialistas se você souber ouvir, se souber enxergar. Nenhuma Lei atual agrega os cinco sentidos, nenhuma Lei estabelece a criança como ponto de partida para conhecer a própria criança. Uma das especialidades de qualquer criança ou adolescente é saber quando um adulto mente. A Casa do Zezinho é fundamentada nessa relação de confiança e verdade, senão eles vão embora. Vão mesmo.

O Dever como compromisso moral de retorno para sociedade, depende exclusivamente da confiança como base para conscientização. Eu só educo pela consciência de si mesmo, pelo auto-aprimoramento da capacidade de escolha. Quando um adolescente descobre que pode falar e ser ouvido, ele começa a refletir sobre as escolhas que precisa fazer na vida. Ele começa a pensar e sentir. A Pedagogia do Arco-íris não foi escrita  como uma idealização apenas ou um sonho. Ela é pautada pelo que há de melhor em cada intenção humana, por aquilo que cada um pode fazer de melhor por si mesmo e pelo outro.

O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) foi instituído pela Lei 8.069 no dia 13 de julho de 1990 e aposto que a maioria que não atua em educação nem conhece. A criança não conhece e o adolescente não conhece. Mas você conhece (ou pelo menos deveria) as suas bases morais, você conhece sua cabeça e seu coração. Eu atuo com o Estatuto do Bem, do Sangue Bom como a gente diz por aqui. E com os Direitos do Coração. Pra ficar mais fácil, é só lembrar dos dois “C”s, Consciência e Coração. O que eles me dizem?

Podemos sempre transformar para melhor, para um bem maior. Consciência e Coração. É só começar a usar. Fui.

TIA DAG INDICA:

ECA – 25 anos depois

Guia de Direitos (da criança e do adolescente)

INFOGRÁFICO ECA

ECA 06

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